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  • Fauno Mendonça

D. e o Procurador - Inspirações por trás do livro



Sim, "D. e o Procurador" trata de vampirismo, de mistério, de medo e de morte, mas seu enredo vai além desses temas, eis que se aprofunda em tormentos e em anseios quase indecifráveis do ser humano.


Não! O livro não paira na superficialidade do terror, do sangue e da volúpia de belas donzelas com pescoços bem torneados, suculentos de energia vital e de sangue. Definitivamente, não se trata de meros temores, mas de uma introspecção severa quanto aos nossos verdadeiros valores.


Durante a narrativa indiquei um mundo do final do século XIX carregado de problemas culturais e políticos; de dramas pessoais imiscuídos com mitos e medos. Enveredei por uma linha tênue de rivalidade de uma Europa que se perdeu no tempo e de outra que avançou, mas se tornou arrogante ao deparar-se com culturas mais frágeis. Ademais, adentrei ainda em temas sensíveis e complexos como a submissão da Irlanda diante do Império Britânico; o império cujo Sol nunca se põe.


O mito Drácula, criação fantástica de Bram Stoker, rendeu muitos livros, peças de teatros e filmes justamente por ser um personagem de múltiplas faces. Um personagem que, apesar de permanecer nos tormentos dos infernos, mantém-se ao lado de Deus e dos homens.


Drácula trata-se de um herói às avessas, porquanto seus valores são verdadeiros, sobretudo, plausíveis e justos, por isso o mito sobrevive no imaginário das pessoas. O Conde dos Cárpatos não aceitava submissão, lutou bravamente por seu país contra o Império Otomano quando ainda pertencia ao mundo dos mortais; defendeu a cruz do Cristianismo, porém, em seu entendimento, Deus lhe abandonou em um momento muito dramático. Sentiu-se traído por não ter tido ajuda divina para proteger sua amada Elisabetha.


Diante de toda essa complexidade, um mostro nasce, mas mesmo em sua condição, o vampiro da longínqua Transilvânia não esqueceu de sua paixão inexorável e eterna por sua esposa. Esperou por mais de 400 anos para agir e programar-se para ir à Inglaterra Vitoriana no desiderato de resgatar seu amor perdido. Para Drácula, a vida pode ser mortal, mas o amor é imortal.


O livro orbita no meio desses dramas e ao lado de um Procurador bem sucedido que adquiriu valores de seu país, Irlanda, mas deixou sua terra natal a fim de trabalhar em Londres e atingir êxito financeiro. O Procurador irlandês também tem dilemas e sonhos intensos a serem atingidos; tal qual o Conde das Trevas, busca resolver-se ao seu modo para dar sentido a existência.


Ambos divagam e têm seus medos, mas não fogem à luta. Têm personalidades assemelhadas e no decorrer da trama tornam-se servis um do outro para galgar seus desejos.

Enfrentam intempéries, mantém-se submissos, mas só se submetem aos interesses alheios no fito de atingir suas metas. São pessoas fortes e focadas naquilo que de fato importa.


Vislumbre as suas próprias buscas ao decifrar "D. e o Procurador". Encontre-se na solidão e nos sonhos desses personagens e enfrente-se para alcançar seus objetivos mais profundos, libertando-se dos grilhões de um mundo promiscuído por amarras sociais, econômicas e políticas.

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